2012-12-06

Profetas, crenças, religiões e mistérios da opinião pública no livro “Se fosse fácil era para os outros” de Rui Cardoso Martins e na fantasiada de um Neo-Machiavelli, (Maquiavel)

(CONTINUAÇÃO  de extratos do livro “Se fosse fácil era para os outros” de Rui Cardoso Martins e comentários):
Se calhar Deus quer-nos
a testemunhar as suas maravilhas, enquanto lhe for útil.
O grande templo de Salt Lake City. Nas altitudes do planalto
do Utah quase não se fuma nem bebe, mas os problemas mais
complexos que se levantam são teológicos e de filosofia. Os mórmones
conseguiram trazer mistérios ainda mais incompreensíveis
à trapalhada das religiões.
No Templo dos Templos, essa mistura de Vaticano, Fátima,
Tailândia e bolo de noiva, ouvindo o órgão de tubos e o coro, admirando
os vitrais de artistas fiéis ao seu próprio kitsch, vejo o
profeta Joseph Smith, fundador, no século XIX, da Igreja de Jesus
Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Estando numa colina de
Nova Iorque, apareceu-lhe Deus-Pai e o filho Jesus (ao mesmo tempo!, não há Santíssima Trindade, os primeiros dois mais o Espírito
Santo são três pessoas separadas com o mesmos objectivos).
Vejo retratos imaginários das placas de ouro escritas pelo
profeta Mórmon em egípcio reformado, enterradas pelo seu filho
(e anjo) Moroni e depois decifradas por Smith, que as devolveu
ao anjo e nunca mais as vimos.
E os frescos com a chegada às Américas de um barco carregadinho
até à proa de profetas, 600 anos antes de Jesus, nesse navio
vinha o tal de Mórmon. E a ressurreição de Cristo: na própria altura
em que se libertou da lei da morte e São Tomé lhe punha os
dedos na chagas abertas, por não acreditar, Jesus deu aqui um
salto ao outro lado do Atlântico, para se mostrar aos indígenas...”
- Extrato do livro “Se fosse fácil era para os outros” de Rui Cardoso Martins.
Sempre me fascinaram as crenças, religiões e mistérios da opinião pública tão diferentes de um meio para outro, ou de um momento histórico para outros. Tudo tem o seu local e tempo histórico. Muitas vezes basta um local a poucos kilómetros para encontrarmos grandes diferenças. Muitas vezes basta um acontecimento histórico para se rir do que poucos dias antes parecia sério, santo, sagrado ou intocável. Pode bastar pouco tempo para parecer ridículo o que antes parecia sagrado. Estou a pensar no filme “Deus, Pátria, Autoridade” de Eduardo Geada que depois do 25 de Abril de 1974 fazia rir às gargalhadas com discursos reais de Salazar e sucessores, cardeais ou presidentes de República. Rui Cardoso Martins é um artista a colocar nos personagens os comentários cheios de ironia.
Muitas vezes me senti um profeta, considerado maldito por uns, ilegal para um magistrado da anti-máfia que me fez um processo por difamação em Itália. Este processo foi usado pela minha ex-mulher para pedir o divórcio. Mudou a minha vida. Não sei se me converteu a ser menos ou mais profeta de uma NJF=Neo-Justiça-Futura. Por um lado deixei de escrever tanto sobre a VIT=Velha-Injustiça-Tradicional com poucos “pequenos” magistrados e muitos grandes advogados ao serviço da injustiça, imoralidade, estupidez e vergonha de certa justiça. Por outro lado, como dizia Freud, os impulsos recalcados podem manifestar-se com mais força em formas disfarçadas de arte, literatura, fantasia e sublimações várias. Ao reler “O Princepezinho” de Saint Exuperi imaginei um ebook, livro ou filme com um profeta em viagem por vários planetas de fantasia com caricaturas e sátira sobre os intocáveis deste: mafiosos, terroristas e magistrados. Os mafiosos podem matar por uma sátira, os terroristas islâmicos matam por um filme ou caricaturas do mais ridículo das suas crenças: um paraíso de 70 virgens de pernas aberta para acolherem os estúpidos que explodem entre “cães infiéis”. Os mais inteligentes de certo mundo islâmico têm dezenas de mulheres intocáveis. Para uns terem muitas alguns ficam sem nenhuma. Os mais inteligentes com muitas convencem os mais estúpidos sem nenhuma que se explodirem vão para um paraíso com 70 virgens. Os pobres de espírito sedentos de sexo são assim convencidos a explodirem entre vítimas inocentes com a única culpa de não acreditarem na sua religião, “cães infiéis” como lhe chamava o intocável dos intocáveis...
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